Fazenda Prosperidade: A Pequena Atenas Campestre e o Jornal O Martello

by Anderson Deprá
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A Fazenda Prosperidade, localizada no distrito de Prosperidade, pertencente ao município de Vargem Alta, é lembrada por sua importância histórica e cultural. Conhecida como a “Pequena Atenas Campestre”, esta fazenda foi o cenário da criação do jornal manuscrito O Martello, uma iniciativa rara e notável. Na época, a fazenda estava sob a jurisdição de Cachoeiro de Itapemirim, antes da emancipação de Vargem Alta.

A Fazenda Prosperidade era um ponto de encontro para a elite intelectual de Cachoeiro de Itapemirim, onde se realizavam importantes saraus literários. Esses encontros fomentavam um ambiente de efervescência cultural, refletido na produção do jornal O Martello, um dos primeiros jornais do sul do Espírito Santo.

Em 5 de novembro de 1896, na Fazenda Prosperidade, nasceu Antônio Belisário Vieira da Cunha. Filho de Belisário Vieira da Cunha, médico e intelectual carioca, Antônio cresceu em um ambiente culturalmente rico. Seu pai, que usava o pseudônimo de Phídias para seus poemas, promovia reuniões e recitais poéticos na fazenda. A Prosperidade, localizada no caminho entre Cachoeiro de Itapemirim e a capital Vitória, tornava-se frequentemente um local de hospedagem para políticos, intelectuais e artistas.

Vieira da Cunha iniciou seus estudos sob a orientação de seu pai, desenvolvendo desde cedo um talento para as belas artes. Em 1902, inspirado pelo periódico “O Malho” de Crispim do Amaral, ele começou a caricaturar os visitantes do casarão patriarcal. Sua habilidade em observar e sintetizar características marcantes em seus desenhos caricaturais era impressionante.

Em 1906, utilizando uma pedra comum na região e outros materiais, Vieira da Cunha conseguiu imprimir seus desenhos como se fazia com a pedra litográfica. Em 1904, seu pai e seu irmão mais velho, João Belisário, começaram a produzir o periódico “O Martello”, com conteúdo literário e artístico. Vieira da Cunha reformulou o projeto gráfico em 1906, adicionando suas charges e caricaturas, inspiradas em “O Malho”, e dando ao jornal um tom de humor e crítica política. Com o uso da litografia, conseguiram produzir uma tiragem de 250 exemplares. O periódico circulou até 1910, com um rico conteúdo crítico que rapidamente agradou aos leitores, consumindo toda a produção.

O poeta Carlos Drummond de Andrade, ao comentar sobre o jornal manuscrito e as caricaturas, destacou a importância do trabalho realizado na Fazenda Prosperidade. Em uma carta de 1969, Drummond forneceu detalhes valiosos sobre o contexto em que as fotografias do livro “Os Vieira da Cunha e o jornal O Martello” foram tiradas.

A Fazenda Prosperidade e o jornal O Martello são testemunhos da vibrante vida intelectual e cultural da região, reforçando a importância da “Pequena Atenas Campestre” na história capixaba.

Fontes e para saber mais:

https://morrodomoreno.com.br/materias/os-vieira-da-cunha-por-levy-rocha.html

https://estacaocapixaba.com.br/vieira-da-cunha/

https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=095605&pagfis=2416

https://periodicos.ufes.br/revapees/article/view/32211/21367

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